A discussão que tenho proposto neste blog sobre a violência pode parecer um paradoxo, porém é proposital. Pensar nas relações entre violência e procedimentos sociais implica em direcionar a discussão para outro nível. Um cientista que tem sido muito citado aqui é Alba Zaluar. Ele sugere, como dito no post anterior do site de jogos de tiro online, que muitos jovens pobres optam por fazer parte de redes criminosas porque elas podem lhes oferecer prestígio e poder. Um poder que se baseia sobretudo em uma cultura da masculinidade, uma maneira de ser que opera de acordo com a lógica da guerra, um ideal que busca reconhecimento por meio da imposição do medo. Essa rede aspira a um estilo de vida em que ganham destaque bens de consumo cujo acesso dificilmente poderia ser alcançado por esses jovens e seus familiares. Assim como os jovens das camadas médias e das elites, jovens pobres desejam consumir o ténis de marca, a calça da moda, o celular mais moderno, ou seja, bens associados a alto prestígio e status, que são veiculados diariamente pelos meios de comunicação de massa.
Mas, como constatamos cada vez mais, junto com o prestígio e o poder possibilitados pelos lucros obtidos com o comércio de drogas ilícitas, muitas vezes vem a morte precoce e violenta. Alba Zaluar nos lembra, ainda, que a chance de morrer precocemente não é exclusiva dos jovens que aderem à rede criminosa: todos os que moram em zonas "dominadas" pela lógica da guerra - ou seja, pelos narcotraficantes - estão igualmente expostos à chance de morrer de forma violenta e arbitrária. As pesquisas mostram que nas regiões metropolitanas a maioria das mortes violentas vitimam rapazes negros e pardos. Como argumenta outro especialista no tema da violência urbana, Michel Misse, o fato de a maioria de presos ser de pobres, negros, jovens e desocupados também se deve à existência de um "roteiro típico" seguido pela polícia, que associa de antemão a pobreza (e a juventude não branca) à criminalidade.