Certamente, como dito no post anterior, os crimes de colarinho branco são os piores possíveis.Porém, ainda hoje, a lógica que associa pobreza e criminalidade segue prevalecendo no imaginário social, tendo que ser continuamente recusada por vários cientistas sociais. A grande maioria dos habitantes de lugares violentos e segregados - demonstram os pesquisadores -são trabalhadores honestos que repudiam a criminalidade e cujas aspirações são bastante semelhantes àquelas das camadas médias: ter uma casa confortável, oferecer uma boa educação para os filhos, ver a família progredir por meio do trabalho honrado. Se a explicação para a violência não está na pobreza, onde estará?
Há sociedades muito pobres, como a indiana, em que os índices de criminalidade são baixíssimos, muito mais baixos do que os de uma nação rica como os Estados Unidos. A desigualdade, e não a pobreza, tende a resultar em violência no contexto da sociedade de consumo. No Brasil, o acesso ao consumo ampliou-se significativamente nas últimas décadas, mas está longe de incluir a todos. E mais: os pobres seguem tendo seus direitos civis (releia o capítulo anterior) muitas vezes desrespeitados. Seu acesso às instituições promotoras do bem--estar e da cidadania é significativamente mais restrito quando comparado com o das camadas médias e altas. Daí muita gente dizer que, no Brasil, alguns são mais cidadãos do que outros. Temos os cidadãos de primeira e de segunda classe e, brincadeiras à parte, os que frequentam este blog de jogos são os de primeira classe.